segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

João, Jobim e a Era de Ouro da Música Brasileira

O Maior Marco da Música Popular Brasileira

O início dos anos 60 é um verdadeiro marco na História da Música. E falo da música popular, no geral. Parece que naquele momento todos os deuses estavam em festa e, em unanimidade, decidiram que, de uma hora para outra, nós, meros mortais, éramos merecedores e então os maiores expoentes de diversas culturas musicais ao redor do mundo foram postos em ação. Naquele momento iluminado da nossa cultura, parece que "tudo que reluzia era, sim, ouro". Dos Beatles, na Inglaterra e Bob Dylan nos Estados Unidos a Ravi Shankar, na música indiana e, bom... "só" Tom Jobim João Gilberto na música brasileira... Dois dos maiores gênios da História da nossa música co-agiam para que um dos momentos mais históricos (musicalmente falando) também fosse, naquela década de ouro, histórico para a Música Popular Brasileira. Coincidência? Eu, particularmente, acredito que não. Algo reluzia diferente naqueles dias. O mundo estava, sim, no seu auge cultural do século XX (nem ouse falar do século XXI) e, num momento em que movimentos culturais eram bem mais que "só" movimentos culturais (aqui, indo para uma linha mais ideológica), num pós-guerra mais agitado que vulcão em erupção (com Guerra Fria e corrida espacial)... naquele momento, enquanto todos os homens brigavam por um vil "poder", os Deuses habitaram entre nós, e nós não percebemos até que nos caísse, de fato, a ficha. Não é todo dia que se tem esse privilégio.

E, bom, quando digo que, naquele momento, os Deuses caminharam "entre nós" é porque foi entre nós MESMO. Cada um dos fenômenos culturais imediatamente seguintes ao pós-guerra, tendo um mínimo teor de relação ou não, é fruto de um momento em que, impreterivelmente, a humanidade buscava trilhar um novo caminho a partir das ruínas de um terrror desumano cuja repetição era incongitável. Nas inconscientes repercussões e consequências de tal "estado de espírito", lindas formas daquilo que temos de mais belo, enquanto civilização, se formavam (embora tudo isso possa parecer redundante).




Na Inglaterraquatro britânicos faziam história. Subsequente a um então emergente fenômeno do que ficaria conhecido como "juventude", os Beatles rompiam, pela primeira vez na história, com a lógica tradicionalistapela primeira vez na história, adolescentes não escutavam a mesma coisa que seus pais. Pregando o amor e repreendendo o mundo acerca dos ideais de guerra, podemos dizer que, na verdade,  os Beatles criaram este "futuro" em que vivemos). Quase simultaneamenteunorte-americano mudava a história do mundo (ou podemos dizer que Bob Dylan fez, finalmente, o mundo pensar), ao fazer da música algo muito além das relações harmônicas e melódicas, fazendo de seu conteúdo (do que até aqui seria "lírico") uma ferramenta de análise, exposição e crítica social; se os Beatles transformaram o Rock n´ Roll em arte, e se Elvis liberou o corpo para as pessoas dançarem, Bob Dylan mostrou que o Rock era coisa de gente grande, e, bom, como nós sabemos, com sua obra, e especificamente com Like a Rolling Stone, Dylan "liberou a mente para as pessoas pensarem". Era o Rock n' Roll sob uma nova perspectiva é o anúncio se uma nova era na história da música comercial e seu impacto social. Todos esses gênios/heróis iniciaram o impacto avassalador de suas obras em casa, fazendo de seu povo um público ávido daquilo que de mais precioso ambos tinham a trazer ao mundo...  Bom, eu adoraria dizer que "aqui do Brasil não foi diferente", que o público brasileiro também fez jus à grandiosidade de nossos heróis, mas, infelizmente, a História não pode ser re-escrita. Frustrado com a baixa repercussão de seu trabalho em seu próprio país e vendo a carreira de João Gilberto, seu companheiro, deslanchar com o lançamento de 'Desafinado' (como single) e o esplêndido e icônico álbum Chega de Saudade (1959) alcançar sucesso nos Estados Unidos, o nosso grande Tom Jobim, nosso eterno Antônio Brasileiro, considerou (naquele momento) que as pessoas aqui "não estavam entendo nada do que ele estava fazendo" e fez a escolha (comercialmente acertada) de ir fazer sua nos States. E ouso afirmar que, no geral de sua consideração, sim, ele estava certo. Como grande gênio que era, Tom Jobim sabia do potencial de suas composições e do quanto que aquela obra era inovadora, não só no cenário da música brasileira, mas mundialmente falando. João Gilberto já tinha ído e, bom, assim também se ia mais uma de nossas pérolas mais preciosas, ser venerado e ter seu devido valor atribuído por um público que fazia o que nós não fizemos...




Ainda que hoje se tente diminuir o "brasileirismo" da nossa Bossa Nova por, em tese, se tratar de um "tributo ao Jazz", naquele momento, no início dos anos 60Tom Jobim e João Gilberto, dois de nossos maiores brasileiros, apresentavam, com glória, a música brasileira ao mundo; da mais melhor forma possível. Ao dividir as paradas com nomes como Frank Sinatra e Elvis Presley, um universo novo de possibilidades (comerciais e artísticas) surgia para artistas brasileiros. A partir daquele momento, então, o caminho de glória da música brasileira estava aberto e a belíssima síntese que vagava/"dançava" entre o minimalismo jazzístico e a síncope rítmica dos "bumbos" de uma Escola de Samba ficaria gravada na história como um dos feitos mais marcantes da história da Música, mundialmente falando. Isso não se repetirá. Não haverá "outro Tom Jobim" nem "outro João Gilberto". Mas gosto de pensar que ainda estão entre nós; dentre tantos discos e tocando em algumas vitrolas por aí... São nomes dos quais não se pode afastar nunca.

Bom, sobre nosso estado, enquanto bons brasileiros, lembro que, certa feita, nosso grande Tom Jobim afirmava, em entrevista: "O Rio de Janeiro de hoje é muito diferente do Rio de Janeiro em que cresci...". Sempre vi essa afirmação como uma metáfora. Tom sempre cantou o Rio de Janeiro, referindo-se, na grande maioria das vezes, ao espírito que em seu ânimo reconhecia como essencialmente brasileiro (ou, ao menos, era um dos seus referenciais de "brasileirismo"). O que mudou, na verdade, foi muito mais do que o Rio de Janeiro. O verdadeiro referencial (aparente e momentaneamente) perdido se encontra numa das áreas da mais proeminente importância e está na nossa identidade cultural (ou melhor dizendo: o referencial perdido é a nossa identidade cultural), que (aparentemente) a cada dia que passa renunciamos em troca de uma apropriação cultural absoluta e completamente desnecessária. Se a Inglaterra tem os Beatles, e se os Estados Unidos tiveram Bob Dylan, nós tivemos temos Tom Jobim e João Gilberto...

Sobre a nossa cultura e em nome de nossa própria identidade cultural, também metaforicamente, preciso dizer:

Não deixem "O espírito Bossa Nova" morrer.



domingo, 10 de julho de 2016

Legião Urbana

Villa-Lobos e Bonfá anunciam relançamento de disco da Legião

A edição especial do disco, com previsão de lançamento para o final do ano, trará o álbum original remasterizado e um segundo disco, com raridades que foram guardadas pela EMI, gravadora da banda, incluindo três músicas gravadas no Rio, em 1983, quando o grupo ainda não tinha o nome de Legião Urbana e Renato Russo tocando baixo.

Além do disco, a dupla também revelou que está preparando um show em comemoração aos 30 anos do álbum, que levará o nome de "Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá em Legião Urbana - 30 anos".

"O processo de mexer com todas essas fitas, de ver aquelas fotos, de ler aqueles textos e, principalmente, de ouvir aquelas primeiras versões das nossas músicas, foi realmente emocionante. Tanto que acabou despertando a vontade de estarmos juntos tocando de novo", diz o comunicado. 

"Dessa vontade surgia uma segunda ideia: a de chamar alguns amigos e montar um show para tocar o nosso primeiro disco na íntegra. Mas, para evitar erros ou mal-entendidos, sentimos a necessidade de deixar bem claro que não existe possibilidade alguma de 'volta' da Legião Urbana. Como já dissemos inúmeras vezes, a Legião - como banda - acabou junto com a morte do Renato, em 1996. E, ninguém pode substituir o Renato. Único e insubstituível"



Guns N´ Roses

Steven Adler Se Apresenta Com O Guns N' Roses Após 26 Anos

Após 26 anos longe do Guns N 'Roses, Steven Adler voltou a se apresentar com seus ex-companheiros de banda, Axl Rose, Slash e Duff McKagan. O baterista subiu ao palco com o grupo na noite desta quarta-feira (6) na cidade de Cincinnati, em Ohio, para tocar "Out Ta Get Me" e "My Michelle".

Steven Adler entrou no Guns N' Roses em 1985, logo após a formação da banda. Cinco anos depois, ele deixou o grupo por causa de problemas com drogas e foi substituído por Matt Sorum. A última apresentação de Steven Adler com o Guns N' Roses tinha sido em abril de 1990, no Farm Aid, em Indianápolis, nos EUA.

Em entrevista recente ao canal "VH1", Adler chegou a dizer que estava chateado com seus ex-companheiros de Guns. "Eu amo esses caras e sempre vou amar, mas o Duff acha que eu não sou legal. E o Slash não acredita que estou sóbrio há dois anos. Eles esquecerem que eles também eram assim. Duff está há 20 anos sóbrio, Slash está há 12, e eu estou há dois. Cada um tem um tempo diferente. Eu estou agradecido de ter com conseguido ficar longe das drogas", disse o baterista na ocasião.

O lendário grupo californiano de sucessos como "Welcome to the Jungle" e "Sweet Child O' Mine" reinou na cena do "hard rock" de 1987 a 1993 e vendeu cerca de 100 milhões de discos, talvez sendo um dos maiores fenômenos comerciais deste que foi um dos marcos mais importantes na história do Rock.


sábado, 9 de julho de 2016

AC/DC

Cliff Williams deixa o AC/DC


O baixista do AC/DC, Cliff Williams, anunciou nesta última sexta-feira que vai deixar a banda. O lendário baixista, que é um dos membros da formação original pensa em aposentadoria, tornando, assim, ainda mais incerto o futuro do lendário grupo australiano de hard-rock, já abalado pela saída de vários de seus antigos  integrantes.
"Esta foi minha vida durante os últimos 40 anos, mas, depois dessa turnê, não farei mais shows, nem gravações", declarou o músico à revista Gulfshore Life.
Formada em 1973 e autora de sucessos escalafobéticos no cenário da música mundial, como "Highway to Hell" e "Back in Black", a banda encerra no final de setembro, nos Estados Unidos, uma turnê mundial de um ano, meio marcada pela saída forçada de seu vocalista Brian Johnson, que foi obrigado a deixar os palcos (aparentemente) por recomendações médicas e em prevenção; contrapondo um possível risco de surdez.
O vocalista do Guns N'Roses, Axl Rose, assumiu seu posto em março para continuar a turnê.
Em 2014, o lendário Malcolm Young, guitarrista rítmico e irmão do membro fundador Angus Young, teve de deixar o grupo antes do lançamento do último álbum até aqui, "Rock or Bust", também por problemas de saúde.
O baterista Phil Rudd foi expulso depois de sua detenção por suspeita de envolvimento em um assassinato na Nova Zelândia, onde vive.
"A perda de Malcolm, o rumor com Phil e agora com Brian, já não é a mesma coisa. Sinto profundamente que isso é o que tenho de fazer", disse Williams.
Sua saída pode comprometer o futuro do grupo, que ainda conta com uma sólida base de fãs, mas não anunciou novos projetos.
Lembrando que em 1980 o grupo também passou por um de seus momentos desafiadores do 'seguir adiante', após a morte de seu vocalista na época, o lendário Bon Scott. Ele morreu afogado por seu próprio vômito, depois de uma noite de bebedeira.
Ainda após essa perda, a banda gravou seu icônico álbum Back in Black, que continua sendo um dos mais vendidos da história. O conceito do álbum, assim como as letras e a capa, reflete uma aura de luto, mas o conjunto da obra posterior a tudo isso soa como se, de alguma forma, 'não houvesse outra saída', a não ser continuar fazendo um pouco daquilo que (com toda certeza) reflete a alma e o espírito daqueles que se foram (de qualquer forma que tenha sido).

O AC/DC continua sendo uma das bandas mais repletas de significado; por sua história e pelo conjunto de sua obra.

Que o 'Espírito AC/DC' esteja com você!